sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Falar "desculpe por existir" e querer dizer isso mesmo é estranho


Divagação e desabafão.

Presente é um negócio complicado. Agora sempre é difícil, instável. Admiro e invejo quem consegue viver no momento (quase) sempre. Deve ser maravilhoso. Mas como essa pessoa não me representa, fico viajando entre tópicos que flutuam no futuro ou como alternativa de presente (devia estar fazendo, vou fazer, devo fazer, quero fazer e outras histórias fictícias que minha cabeça faz) ou retornando ao passado, em pontos específicos de tempo (espaços vastos quase vazios, como a memória permite).
Acontece que tive que confessar aos 12 anos antes de poder ter a primeira eucaristia (ou algo assim), e um padre (padre?) me perguntou sobre as coisas boas que já tinha feito e as ruins. Juro, coisas boas não vinham na minha cabeça. Como se eu fosse um asco que nunca tivesse feito nada por ninguém. Nada além de pegar um cartaz publicitário em uma ventania e devolver para o dono da banca de revistas da pracinha (e foi isso que eu respondi).
E daí a cabeça já viaja. Tem muita gente ruim no mundo. Vejo diretamente ou vejo críticas a respeito do seu caráter, personalidade e atitude. E essas pessoas jamais admitem que são ruins. E começa: meu deus, eu sou uma delas. Não admito e sou. Sou um lixo de ser humano. Não contribuo em ONGs. Não sou voluntária para nada. Não doo dinheiro. Não faço nada além de reclamar.
Eu tenho plena consciência que deve ter gente beneficiada por alguma coisa relacionada a mim em algum canto do mundo. Porém nada disso fixa na minha cabeça. Nem a raiva do outro nem o que faço pelo outro. Só me fica: 1) o incômodo que causo/posso causar/causaria nas outras pessoas, 2) o que fiz de ridículo e/ou prejudicial a alguém e 3) o que eu poderia ter feito, mas não fiz. E nesses três casos, qualquer proporção de atitude é válida. Eu posso ter espirrado alto numa aula e continuar com aquela "vergonha" na cabeça por anos.
Sim, eu me lembro com vergonha de ter espirrado alto em uma aula. Aparentemente, ninguém ligou. Se perguntar para todo mundo que teve essa aula comigo uns 4 anos atrás, provavelmente ninguém vai saber do que se trata. Mas eu, tonta como sou, me lembro e me incomodo com isso. Ou quando eu ofereci para uma menina (tipo 3 anos mais nova que eu) passar na minha frente na saída do escolar e ela foi bem arrogante falando que não passaria na frente da amiga Bruna dela (que estava atrás de mim). Daí as duas riram e eu fiquei me sentindo uma merda sem motivo aparente. E me lembro disso. E aconteceu quando eu tinha 9/10 anos. E é ridículo. É ridículo como não consigo reter boas lembranças.
Tenho consciência também de que devo ter passado bons momentos, mesmo na escola que detestava com força e me dá ânsia só de pensar nela. Porém mesmo nos dias de hoje um bom dia desaparece quando deito e durmo. No dia seguinte, vou dar um jeito de achar pontos duvidosos da minha performance (o mundo é um palco) e me odiar, me ridicularizar por eles. Tanto como vergonha por mim mesma quando como vergonha pelo que os outros devem ver e pensar a respeito diso.

Sinto sempre que devia escrever uma retratação formal pela minha existência. Apesar da minha memória não ser nem de longe gloriosa, guarda apenas as emoções e reações sobre situações onde eu posso ter me colocado em papel ridículo, ofendido ou prejudicado alguém. E aí vem a cabecinha rodando o "venho por meio desta me desculpar para as seguintes pessoas (843) pelos seguintes atos (17.367)". E segue a lista.
E é óbvio que quando alguém vem falar comigo querendo retocar demais uma mensagem ou pirando demais a respeito de um tom de voz, risada esquisita que pode ter dado, palavra mal usada, vou, com toda a sinceridade do mundo, fazer pouco caso. "Que isso, tá louca? Ninguém liga pra isso não, muito preciosismo para pouco motivo" ou qualquer coisa do tipo. No caso de detalhes irrelevantes, insignificantes, mas que inflam e sufocam. Tipo uma reação alérgica na garganta.
E pior quando não é detalhe. As vezes, paro para pensar em coisas escrotinhas que disse em 2009 (ou esse ano mesmo - melhorei muito, óbvio, mas muito não é 100%). Coisas bobas, coisas burras, coisas machistas, racistas, intolerantes, homofóbicas. Coisas que nem fazem sentido dizer agora (heh), não me representam nem hoje nem nunca, que melhoro com o tempo (assim como todo mundo, porque a vida de "coração aberto" é bullshit e todo mundo tem seus problemas).

Esse problema sempre existiu comigo, mas se tem uma coisa que agrava, puts... É aquele diabo de rede social. Redes sociais. Não rola uma socialização, uma coisa amigável e bonitinha. Rola disputa por dois caminhos: os espiritualmente evoluídos, mais desconstruídos, o nirvana em carne, com a palavra mais certa, a maior credibilidade e o maior esclarecimento. E os "mais menos", na pior (seja lá qual for o sentido). Parte dessa competição envolve humilhar pessoas baseando em seus passados. Escavando coisas de cinco, dez, quinze anos atrás, e, óbvio, sem pensar no contexto.

Afinal, sua vida tem contexto.

Daí além da pira de ser perfeito no momento atual, tem que sentir o medo/vergonha/culpa pelo que fez no passado. Falar a respeito? Nem pensar.

É muito fácil falar para ignorar as pessoas e a sociedade, mas com esse bombardeio de competição, discussões agressivas excludentes com quem não "está no seu nível" e humilhações genéricas, não é fácil desvincular de como isso pode te afetar. Principalmente se redes sociais forem frequente no seu dia-a-dia. Você pode fazer a bolha que quiser, mas ainda estará ali. Tem gente que joga palavras chave na busca do twitter para começar a discutir com pessoas totalmente aleatórias, pelo amor de deus.

Falei demais e falei demais. Mas só pra deixar claro: se você tem raiva de mim por alguma coisa, nem perca seu tempo que muito provavelmente eu tenho 40x mais raiva de mim por isso. Inclusive desculpas especiais às pessoas afetadas pelos meus tempos de crise (o tempo todo) em que eu fico reclamando o dia inteiro e implorando por atenção constante para ser irritante. Beijos.

Ah, mas só para ter um sentido extra-desabafal: ninguém contabiliza seus erros. Ninguém tem passado de ouro. Você não é um lixo ambulante. Se trate como uma amiga que não faz sentido se considerar menos que isso (como mantra, repetindo sozinha, pintando nas paredes, espalhando cartazes. Absorve, desgrama).

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Desabando sem perder um pedaço



Parece que meus pulmões subiram uns quilômetros para respirar. Mal mal conseguem algum oxigênio, então a inspiração é curta e a expiração se dispersa pouco. Um milhão de hematomas, formigamentos e dores de cabeça. Pontadas no estômago. Racionalizar racionalizar. De onde vem por que veio como fazer passar. Pensar demais. Eu não procurei nada disso. Não, essas situações (sim, situações) que preciso enfrentar são aleatórias. Resultados de algorítimos complexos que arremessam pequenos dados para meus olhos. E o subconsciente trabalha. Uma comida que remete a um restaurante que fica numa rua onde fiz tal coisa com pessoa X e aí já desembola um milhão de circunstâncias que preferia manter bem bonitinhas encaixotadas na sala do "não me importo". 
Quando meu humor está relativamente estável, dá até para aceitar mesmo o quanto tudo isso é realmente irrelevante para mim. Como posso superar rápido, insensível. Racional, na verdade. Dá para ser racional. O raciocínio funciona muito bem quando tem lógica abertamente. Se alguém evidentemente te prejudica, não é bem esperto continuar ali do lado tendo uma opção atraente de se livrar do problema. Tá incompleto? Não é problema meu. História mal contada, mal escrita, faltando frase e ponto? Não. É. Problema. Meu. Agora e o resto?
Desbloquear e bloquear o celular checando a data, fazendo ligações mentalmente. Um ano exato ou por aí que tudo começou a clarear. E a partir daí surge sem querer uma linha do tempo bizarra.
As coisas são boas, mas são estranhas, mas são boas.
Mas as coisas são estranhas, mas boas, mas estranhas.
Mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas mas masmmmmm
Um milhão de hematomas, formigamentos e dores de cabeça. E nostalgia. Deus, por que desencadear tudo isso mesmo? Não sei se devia ser uma parede de eufemismo oscilando. Fases da lua, semanal. Lua em signos, a cada três dias. Hormônios femininos. Algorítimos de redes sociais, milhares de linhas. Coincidências semestrais. Não sei porque fiz, não sei o que estou fazendo ou o que vou fazer.
Se livrar do que te prejudica. É fácil dizer quando isso representa uma pessoa. Difícil explicar que o prejudicial, em alguns casos, não é um alguém: são efeitos de um alguém na sua cabeça.
Um alguém totalmente inofensivo, nenhuma tensão. Aí anestesia geral. E alguma pira, alucinação, nervosismo cancerígeno. Só minha, só culpa minha. Certeza, reafirmo certeza, você nega a certeza. Passo por louca, eu sempre passo por louca. Reclamo demais, as vezes histérica demais, sensível demais. Só digo uma coisa: nada tem a ver com TPM.
Autossuficiente. Procuro um apoio, aproveito demais. Compensação pelo orgulho, desespero, falta de filtro na língua. Falo falo falo falo. Não interessa se não se interessa. Eu sei disso. Mas é falar até ser ouvida, até ouvir algo útil de volta. Não escuto nada útil de volta.
Só um monte de charada sendo vomitada para os que entendem só responderem com algo do tipo "eu passo por isso sempre". "Ignora, deixa pra lá", "tem que engolir". Mas eu duvido. De todas as sentenças.
E ainda assim, fico em outro plano. Vista em terceira pessoa. Ao mesmo tempo, estou distante demais para saber se é fome, dor de estômago, saudade ou vontade de ir no banheiro. Mas prefiro as opções que são resolvidas apenas trancada no banheiro. Não chorar (o que é comum demais). Chorar não pode ser listado. É a única coisa que daria sentido e caminho à sensação de (não se descreve*),

*Adjetivo que diga sobre o vazio de se ter flashbacks sobre alguém que conquistou importância, principalmente depois de ter tempo para se pensar nessa importância. Daí um mix de remorso, estresse, excesso de análises desnecessárias sobre fatos pequenos normalmente relacionados à complacência. Confusão sobre o que ficou implícito demais (e provavelmente tão implícito para a outra pessoa, e, no final, blur geral para todos - envolvidos ou não). Dormência ao tentar chegar a algum ponto. Ponto não existe há séculos. Nada foi concluído e provavelmente nunca vai ser finalizado. Tentando entender também o que é mecânico nas ações antigas ou procurando fisgar qualquer sinal de justificativa plausível. Nenhuma tensão. Anestesia geral. Desvínculo dos sentimentos entre si, que se contradizem dentro da mesma pessoa.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Tô querendo


Conheci muita loja maravilhosa nos últimos meses, e como não tenho feito muita coisa além de dar meu sangue na faculdade e em projetinhos QUE TÃO FICANDO PRONTOS AMÉM, resolvi fazer minha micro wishlist fútil. Nobody is de ferro. Não sendo patrocinada as always (mas nunca negando presente também) e 100% nem aí pros preços. Fazer montagem é de grats. Montagem não lota armário, não esvazia o bolso, não dá peso na consciência e nem contribui pro trabalho escravo. Amém montagem.

sábado, 23 de julho de 2016

Monte de nada


Por que soltam a droga da bomba no deserto? Teste estúpido para resultar em nuvens de poeira. Não gosto do som, não gosto da surdez seguinte, não gosto da sensação de nada. Do gosto de areia. Do cheiro de quente. Claro que calor tem cheiro! Você que não conhece.
Conheço pouco disso e daquilo ali. Pra mim, todas as pessoas são opções de um restaurante. Podem ter o mesmo nome, nunca vão ter o mesmo sabor. Talvez para paladares menos apurados. Somos todos iguais. Todos incluímos cebola. Todos fazemos um barulho estranho se mastigarmos. Espera.
Fico agitada com o sal. Gosto de pegar uma porçãozinha de sal rosa e deixar dissolver na língua. Prestar atenção. Tirar a cabeça de uma órbita incômoda. Porque eu estou, sim, muito bem, obrigada. E é sério! Estou bem, contente, desarmada. Eu gosto de netflix, gatinhos no meu colo e massagem nas costas. Eu gosto de coisas e de pessoas e consigo fazer coisas e interagir com pessoas sem querer morrer e isso é uma conquista. Está tudo bem. É sério. Quica quica. Quê?
Às vezes até cutuco naquelas cumbucas proibidas. Guardiãs de todas as razões (irracionalidades as vezes) para me deixar mal. Se alguém chorar, tem dedo meu? Se alguém morrer devo me sentir culpada? Eu estou tanto faz, sou tanto faz, não sou tanto faz, não sou 8 e 80, não sou radical, não sei quem eu sou, não quero saber, preciso saber, não tenho pontos, não lido com pontos, não consigo finalizar, eu preciso finalizar para começar de novo. É a numerologia, é o ano nove, é a casa doze.
Eu estou bem, mas não estou do zero. Eu não regressei ou recomecei. Eu não renasci, mas espero ter evoluído. Apesar de tudo correr tão rápido.
Porque, veja só: eu estava miserável. É, totalmente miserável. Antes eu estava razoavelmente miserável. Depois, englobou um pouco mais. E agora eu não escrevo tem um tempo. Mas é por falta de tempo. Tempo terrestre. Imagina só sair daqui - seria como ter todo o tempo do mundo! Todo o tempo para terminar as coisas que tiram meu tempo para depois poder pensar a respeito das coisas que me arrependo. E que me fazem cultivar raiva de mim. Devo ter dedo na tristeza de alguém? Na doença? Infelicidade? Morte? Qualquer tipo.
Eu não queria evitar nada, não quero pensar a respeito. Não quero fazer disso um debate, discutir com a psicóloga, com o amigo, com pessoas desconhecidas que se abrem para desabafos virtualmente. Eu quero tomar meu chá sem açúcar, continuar não ligando para as pessoas em questão e assistir Gilmore Girls. Eu queria não ser a esponja de quase todo mundo. Mas queria poder identificar melhor o que se passa dentro e por mim. Eu sou apaixonada por todo mundo, tenho medo, raiva, saudade, vergonha, remorso e paz tudo misturado. Um grande vegetal híbrido que se degusta. Que diabo é isso? Não sei, mas gostei da cor. As vezes eu tenho certeza, mas depois de umas horas, já me vejo duvidando. Eu mudei, o sentimento mudou, a minha percepção sobre o sentimento mudou?
Jantei duas vezes, li a mesma frase do livro que estou lendo há um mês e meio. Eu começo a chorar, interrompo, me questiono. Ouço uma música meio bosta para continuar o choro e não ficar com dor de cabeça. Fico com dor de cabeça.
Vou na fórmula óbvia. Algumas coisas que sempre faço que me fazem ficar alegrinha. Organizar meu quarto, meus desenhos, meu desktop, minhas pastas do pc, minhas pastas do celular, minhas listas. Criar outras listas, pensar em números legais, resolver umas equações, fazer paletas de cores. Eu sou um bicho esquisito, um troço que se complica além do necessário, um troço que finge que é (está) simples. Troço que não sabe se articular direito, mas, ao mesmo tempo, explode tudo o que parece precisar explodir de uma vez numas palavrinhas que voam da intuição. Performo, não danço. Tem gente que se frustra e joga cubos de gelo no chão. Quer dizer, eu acho que tem. Não sei de onde tiro essas informações. Mas eu só sei. E eu faço não sei o quê. Guardo, só. Porque em dois minutos, esqueço das razões e motivos, manipulada pela falta de juízo, e perco já o fio. Soltando bombas, soltando bombas, soltando bolbas, soltando bombas, alguém pelo amor deus faz ela parar de soltar bombas. Nem se sabe porque resolveu fazer isso. No impulso, só faz. Não vai matar o que tem de físico entorpecendo as entranhas, as veias, os folículos capilares (bom nome). Não vai me matar, não vai me ajudar. Mas só faz.
O que eu estou fazendo, pra quê eu estou fazendo, por quê eu estou fazendo.
Gosto de dormir cedo, são três da manhã. Bolsas de chá resolvem, Eu ouvi isso várias vezes. Já entrou na cabeça.
Deixa esfriar. Nada nada nada nada nada. Eu não sou fraca. No fundo eu sei que não sou. Que consigo fazer o que preciso fazer. Sei sim.

domingo, 3 de julho de 2016

IMERSÃO I


não pergunte
qual é o ponto mais fundo do oceano
para alguém que vive num aquário
num aquário que
se acostuma com pressão de aquário camadas de aquário
hábito de aquário
que
o mar aberto pode ser interessante demais

cuidado com os oceanos em que nada
que
águas claras demais
mostram fundo demais
curiosidade demais de imersa em fossa
onde não para luz e as correntes são curvas
não se afogue em pessoas que não querem te salvar
querem se salvar
te arriscar pelo medo de correr riscos
de correr, de fugir, de ficar
de boiar