sábado, 6 de dezembro de 2014

Em quatro semanas é ano que vem


No início do ano, eu estava assustada. Muito. Era como se, do nada, tivesse despencado no terceiro ano e aquela listinha mixuruca da virada não fosse dar conta do recado. Nunca cumpro ela mesmo. Mas pelo menos não contei dela pra ninguém! Cabecinha de dezesseis, dezessete anos é idiota mesmo, né? Não comprei uma câmera ou um iPhone, não fiz curso nenhum, não conheci SP, não gravei vlogs, não fui no Lollapalooza, não fiz um encontro de blogueiras, não fiz projetinhos craft ou viajei com uma amiga. Pronto, agora contei. Mas não tem importância contar seus planos. Não são mais planos mesmo.
O mais engraçado de fazer essas listas é ver o quanto uma coisa já significou para vocês. Como uma prioridade. Quer dizer, meu objetivo para 2014 foi arrumar uma namorada pro meu cachorro? Arrumei um gato, tudo bem? E o iPhone? Comprei um Moto X e não me arrependo nem um pouquinho. Aprender a editar vídeos? Não tive tempo nem de gravar um!
Cada asterisco daquela listinha feliz feita quase 365 dias atrás me mostra como eu imaginava que meu ano seria. Eu teria tempo, emagreceria, me divertiria todo dia. Viajaria meia dúzia de vezes e iria triplicar os likes da fanpage do blog. Ele seria fantástico. Acontece que o terceiro ano acaba sugando 89% da nossa energia vital (dados do IBAMA, que entende muito bem de 'recursos naturais renováveis', embora sem o 'tempo de renovação' necessário) e do tempo, então sem cursos, viagens e alegrias para ti, mandinha. Então claro, sem academia e sem magreza.

Tive uma visão bem otimista do ano, mas não muito realista pela realidade que eu nem sabia que ia ter que enfrentar. Mas pelo menos tive uma boa visão de coisas que eu posso fazer. Quer dizer, ir no Lollapalooza não é tão difícil assim! E comprar uma câmera? Com três meses e pouco para os (superestimados?) 18, alguma facilidade extra para arrumar um emprego eu devo ter. Com uma graninha extra, uma câmera e um ingresso não são nada. Meus desejos financeiros não são grandiosos como, sei lá. Uma coleção de bolsas da Chanel.
É normal exagerar o ano. Assim como eu provavelmente posso superestimar o ano que vem. Se entrar em uma faculdade que eu queira, vou ficar toda 'uou, design, estudar o que eu gosto, ter mais tempo, amigos novos e etecétera!'. Embora eu tenha uma grande fé de que como não tem como piorar (confie em mim, no meu caso, não tem mesmo), o que vier é lucro. Primeira coisa para escrever na sua listinha-de-objetivos-2015: não esperar demais de nada ou de ninguém. 'Coincidentemente', expectativas para mim só levaram a desapontamentos. Seja em uma festa, pessoa, livro ou o que for.
E a segunda coisa para escrever é 'refazer essa lista mensalmente e não a deixar de lado'. Não desistir das suas metas por preguiça. Enquanto você pega no tranco e começa a entender o ritmo do ano (seja adaptando sua rotina a uma nova série, faculdade, trabalho, projeto ou mudança), você pode adaptar a lista a uma situação mais realista. Se sua 'carga horária ocupada' por dia é de 12h, não adianta querer fazer cinco cursos diferentes, né?
Esse é um cuidado com as prioridades e prazos. Se você gosta de anotar metas, estimule prazos "curto, médio ou longo" para poder se organizar. Se sua meta é ler pelo menos 50 livros, coloque 'um livro por semana'. Se é renovar o guarda-roupa, aproveite épocas de desconto. Se for escrever um livro, escreva aos poucos. Um capítulo por semana ou mês já bastam. Sempre se organize para reduzir a pressão/stress sobre você. Trabalho e aulas já cumprem bem esse papel.

Minha lista de resoluções é laranja, e dos 26 itens, risquei sete. Em julho, não concordava em quase nada com ela. Daí criei uma nova. Na metade mais apertada do ano. Dos 23 itens, risquei cinco. Também não concordo com o que fiz com ela. Planejei coisas que não estavam nem um pouco ao meu alcance. Não me sinto triste por isso. Fiz além delas. Me permiti abrir os olhos para entender quando viajei no ketchup Hellmann's. Tô menos cabeça dura, o que é bom. E confesso que fiquei bem mais feliz ao cumprir metas pequenas que nem me dei ao trabalho de listar. Mais feliz do que as concluídas que listei quase 365 dias atrás.
Ninguém devia 'se culpar' por não seguir essas listas a risca. São incentivos, são formas de se organizar e se manter focada e produtiva. São flexíveis porque saíram unicamente da sua cabeça. E a gente aprende tanta coisa durante o ano, porque seríamos - e pensaríamos - igual por doze meses? E se você não gostar de escrevê-las, tudo bem. Pode ser até que você prefira seguir o fluxo, sem papéis e palavras. Ignorar as mudanças de ideia e só mudar. Cada um tem seu jeito de fazer o ano valer a pena. O importante é tentar lidar bem com cada nova informação, rotina e plano! A 'lista' é puramente metafórica. Só física se você quiser. Eu vou continuar minhas listas laranjas. Ou talvez mude para verdes. Quem sabe?

E faltam quatro semanas para o próximo ano! Quer escolher a cor da sua roupa, a cor da sua vida/humor ou os dois?

Foto: fonte

4 comentários:

  1. Esses dias eu estava lendo a minha lista que fiz em 01/14 aquela de "101 coisas em 1001 dias" o engraçado é vê dps oque era prioridade pra mim, coisas que hoje em dia não fazem mais sentido. Mas embora eu completei 10 itens e estou imensamente feliz por isso.

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  2. Pensei em fazer essa lista também, mas depois dos 1001 dias eu devo ficar tipo 'por que escolhi essas coisas?' HAAHAHAHA se um ano já é muito pra mudar de opinião, imagina três.

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