terça-feira, 21 de abril de 2015

Lacunas


criava estrelas feitas de gelatina
do esôfago até o cérebro e meia volta
engaioladas pelas costelas
pulsando, vibrando,
emaranhadas em fios prestes a se romper
me rompi
de vez, num baque
onde a falta de ar era um estado vicioso
contínuo
que mantinha tonta, inerte, mole, meio mármore
mas "deve ser a pressão baixa"

e enquanto estrelas de gelatina brincavam na minha pele
penso que ser de alguém que não te pertence
sem realmente pertencer a qualquer um
ou qualquer lugar
é o paradoxo mais ridículo que poderia arranjar
depois de apegar tanto a alguém
e ainda fazer o esforço falho de querer matar a maldita gelatina acumulada em si.

*Arte por Alexandra Levasseur

2 comentários: