segunda-feira, 3 de agosto de 2015

6 passos para ser mais consciente no meio da moda


Ando viciada no conceito de slow fashion, que é um movimento de consumo consciente no meio da moda. Moda sustentável. Lembro de ver no GWS ano passado e ficar na minha cabeça. O movimento defende a fabricação de vestimentas a mão e feitas para durar, com tecidos de qualidade, em contraste ao fast fashion - tendência nova todo dia, um milhão de peças baratinhas e iguais que duram poucos meses. Pra quê? Atemporalidade é 0 P0D3R.

O bacana é que dá mesmo pra notar que produtos nacionais/regionais/locais estão ganhando evidência. O conceito vai subindo de conceito, hahahaha. O que é ótimo para tirar todo aquele peso de cima da Ásia. E, claro: pagar os empregados o mínimo para uma vida decente. Enquanto na Índia, por exemplo, alguém do ramo vive com cerca de 2 dólares por dia ao produzir milhares de peças para lojas ocidentais que podem 'se dar ao luxo' de cobrar pouco. Se aproveitar de quem não tem opção para lucrar em cima. Como diabos fizeram esse vestido custar quinze reais?

E tem também aquela história: o caro só é caro na hora. Acumulando baratices, acabamos pecando em vários aspectos: seja no desperdício do dinheiro ou na compra excessiva.

Com tudo o que eu li e vendo um documentário no netflix (procura aí: True Cost), acabei empolgada para escrever esse post com alguns pontos a serem pensados quando 'se faz guarda-roupa'.

1. Mantenha o mínimo
A ideia de ter no guarda roupa o necessário para cada ocasião que você pode ser óbvia ("roupa para o trabalho, para ficar em casa, para festa, para turistar, para ir no cinema..."), mas sem perceber, você acha que tem o mínimo (ou menos que o mínimo e 'te falta roupa pra sair') e, na verdade, acumulou duzentas peças diferentes. Ter o mínimo não significa comprar 50 peças cada vez que se livrar de 40 (e isso acontece a cada começo de estação). É buscar o 'asazonal' mesmo. O neutro no sentido de temperatura (é de verão, mas com isso e isso, você usa no inverno, por exemplo). A ideia do armário-cápsula é bem legal. Conheci pela reprodução da Gabi. Quem sabe tento aderir?

2. Procure usados 
Não é porque algo não serve mais para alguém que deve ser descartado. "Segunda mão" não deve soar como lixo. Produzir ou comprar o que já foi produzido? De onde vem essa 'necessidade' de só ter pelas novas? Por que virar a cara com desgosto para brechós? Ter birra de algo só porque alguém vestiu aquilo antes? Tenta! Vai que você consegue uma peça incrível, barata e evita o desperdício.

3. Conscientize-se: de onde vem isso?
Você realmente ficaria confortável pensando que essa calça leve e estampada que você comprou foi feita por alguém que vivia recebendo dois dólares por dia na região mais pobre da Índia e metade da família dessa pessoa morreu em acidentes em fábricas de roupas e tem seis filhos (quatro doentes) para cuidar, e a última opção dela era ficar em frente a uma máquina de costura na maior parte do seu dia?

App para identificar marcas que usam trabalho escravo: Moda livre para iOs | Android

4. Preste mais atenção na versatilidade/durabilidade da peça do que na tendência/preço
Não compre uma roupa porque está incrivelmente barata, em liquidação, é a última do estoque. É "imperdível". Você "economiza" comprando. Procure peças que vão ficar no seu armário por anos (afinal, uma camiseta de 20 reais no seu armário por três meses acaba saindo mais caro do que uma de 139,99 que ficou dois anos). A peça mais cara vai necessariamente durar mais? Não. Ela deve ser considerada para ver se vale a pena 'investir'? Sim.
E se controle com os 'estouros': jardineiras, estampa de margarida, tie dye, disco pants, estampa de personagens da disney, plataformas, tropicalismo e o escambau. Você foi contagiado pelo burburinho ou realmente gostou da tendência? Usaria por quantos meses?

5. Se identifique com suas peças
Minha vontade de comprar tudo o que via pela frente diminuiu bastante quando eu decidi entender meus gostos com a tal da reconstrução do meu estilo. Meu guarda roupa rende demais. Mesmo com todas as semanas fotografando looks diariamente nesse primeiro período da faculdade e ficando meio de saco cheio de tudo, sei que vivo bem com as peças. Doando e vendendo o que não vou usar (sem ficar segurando porque 'vai que...') e comprando só o que 'me representa'. Não adianta nada enlouquecer no shopping porque "depois é fácil vender ou doar". O negócio é se controlar. Foco também é bom: se você tem uma peça em mente, queira aquela ou o que for de mais parecido com ela. Quer uma camiseta branca lisa com gola v mas só encontra gola canoa? Essa gola vai te fazer passar raiva ou dá pra substituir tranquilamente? E o tecido? Não encontrou o ideal? Tem alguma segunda opção? Mantenha planos B mentalmente. Mas conhecer o próprio estilo ajuda a evitar, por exemplo, comprar impulsivamente por tendência x aparecer em todo blog e vitrine.

6. Trocas
E, pra finalizar, troque peças com os amigos. Provavelmente é fácil encontrar algum com estilo parecido com o seu, e assim vocês continuam a linhagem de peças que não te representam mais adiando a ida dela ao lixo. :)


A indústria é tão louca que só de pensar no algodão da blusa, você chega em suicídios de fazendeiros, anomalias causadas por pesticidas usadas deliberadamente em toda a plantação. No dano à terra graças a isso. No espaço gasto para plantar. Na quantidade de água gasta para sustentar todo o processo. E não acaba.

Gostaram? Alguma dica a acrescentar?

9 comentários:

  1. Não sei nem por onde começar a descrever meu amor por esse post. Você falou tudo que venho pensando nos últimos tempos! É muito bom ver que a cada dia, mais pessoas vem se conscientizando quanto a isso. Ainda estou no processo de diagnosticar bem meu estilo, ver o que já tenho e amo, o que vai embora e o que precisa entrar, tenho certeza que esse app que você indicou vai me ajudar muito. :)

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  2. EEEEEEEEEEH <3 espero que galera veja prioridades na memória do celular (tipo tira tinder e bota ele HAHA)

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  3. Posts inteligentes por pessoas inteligentes <3

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  4. Essa de usar o mínimo estou tentando usar pra minha vida. Última vez que arrumei meu quarta roupa doei uma sacolona enorme de roupas, algumas muito boas e que eu mesma usava há pouco tempo, mas que já tinha um monte. Dá pra usar roupas de verão no inverno, só jogar um casaquinho por cima ou botar uma meia calça, sei lá. As do inverno já acho meio dificil, mas não quer dizer que a gente precise ter 30 casacos no armário, né?

    Minha mãe é a louca dos brechós! Direto aparece com roupa de brechó em casa, e tem umas peças lindas! As vezes a pessoa poe no brechó porque deixou de servir (engordou ou emagreceu) ou enjoou da roupa. Infelizmente a gente ainda tem muito preconceito em relação a isso, eu admito que tenho um pouco, sei disso porque quando passo perto de brechó nem olho, com medo de algum conhecido ou algo assim ver. Mas eu tento mudar.

    Detesto seguir tendências, mesmo achando lindas. Não é por tentar ser diferente e essas coisas, mas porque depois que a tendencia passa, parece que você ficou "pra trás" e sempre tem aquela pessoa chata pra avisar que a tendência já passou. Filhote, não é porque foi tendência e agora não é mais que a roupa tem que ir pro lixo.

    Uma coisa legal que dá pra fazer também é reproveitar, as vezes a roupa tá ruim, mas muito ruim mesmo, mas tem muito tutorial de DIY na internet que dá pra transformar uma roupa velha em algum outro objeto útil e legal. Eu tava vendo no Pinterest umas ideias pra calças jeans velhas, e gostei bastante. Tinha bolsa, capa de livro, porta-treco...

    Esse comentário gigante aqui é só pra mostrar o quanto gostei do post <3

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  5. Dá até uma leveza saber que a gente tem 'pouca coisa' (ou pelo menos menos coisas do que antes da limpeza, hahaha). E piooooooooor coisa é quem fica "ai, você parou no tempo? Se livra disso" como se a 'validade' de uma roupa pudesse acabar antes dela estar 'acabada', hahahaha. E tinha esquecido totalmente dessa de reaproveitar (provavelmente porque nunca deu certo comigo, 1 tristeza).
    Obrigadona pelo comentário enorme <3 a vontz para repeti-los hahahaha!

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  6. Estou tentando seguir este conceito também. Tentando ser minimalista e consciente em todos os aspectos. Diminuindo produção de lixo, de químicos, etc. Estou bastante feliz em saber que muitas pessoas estão começando a pensar mais por este lado sustentável.

    Parabéns pela iniciativa.

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  7. Obrigada! É lento, mas vem meio que como um 'alívio' perceber e parar de fazer certas coisas. Tira uma culpa dos ombros.

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  8. […] The true cost (netflix) – desenvolvi um post meio baseado nele aqui, e fala basicamente da moda e fast fashions causando um impacto devastados na vida de trabalhadores […]

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