quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Se te incomoda tem motivo


(Resolvi deixar esse vídeo como resumo do que passa na minha cabeça porque é basicamente isso mesmo.)

Tudo o que trata de violência, estupro e qualquer grau de assédio pode e deve ser problematizado. Quem sofreu? Qual o perfil do assediador? E do assediado? O que aquilo se torna na cabeça do assediado? Quais traumas isso leva? E a cabeça do assediador? Tranquila em relação a isso? Uma brincadeira, nada de errado? Não existe? É exagero? "Vitimismo"? Overreacting?
Assédio sugere insistência. Descreve algo desagradável. Naturalmente. Com palavras, com contato, com violência, sem consenso. Não é pedido. A definição implica em não ser pedido. Muito pelo contrário. Ninguém quer ser invadido. Independente do "nível" dessa invasão. Ninguém pede para invadir seu corpo/sua cabeça da mesma forma que ninguém pede para invadir sua casa. Se pede para conhecer sua casa. Te visitar. Não se pede para arrombar sua porta. Entrar pela janela. Ninguém deseja isso.
Assediador é desconhecido, conhecido, amigo, amigo de família, primo, tio, pai, marido, namorado... Porque qualquer pessoa que "se achar no direito" de fazer isso e está crente que não vai ser prejudicado pode fazer. É frequente. É real. Isso existe e é grave. Suas primas, sua melhor amiga, sua mãe, sua irmã passam e/ou podem ter passado por isso. Tranquilamente, qualquer um pode. Pessoas próximas de você são assediadores e assediados. Você pode sofrer com isso. E aquilo te incomoda. Te assusta. Você evita contato visual, ir a certos lugares onde acha que o assediador pode estar e fazer/falar coisas que podem te ligar como uma pessoa paranoica, exagerada. Aquela lá recebeu um abraço e já tá fazendo um escândalo, olha que louca. Devia agradecer. Devia agradecer. É um elogio, é mostrar que você é desejada. É carinho.
"Você ser assediada na rua não é uma novidade "boa o bastante" para você contar no seu grupo de amigas."
E você não abre a boca. Tudo para evitar o escândalo. Evitar que a família desabe, que  seu grupo de amigos se separe, que ninguém te ache uma sequelada, perturbada. Evitando rebuliço. Ficando quieta como se nada tivesse acontecido para ver se passa.
Não é o seu cabelo ou suas roupas que vão ser justificativa de nada. Porque nada justifica essa coisa grotesca. Grotesca, ridícula, nojenta. E não há um padrão de vítimas! A manipulação que implica nisso tudo... Fazer parecer que tá tudo tranquilo, você vai agir certo fazendo x e y. E isso começa muitas vezes na infância, onde você é ainda mais manipulável e vai guardar o trauma no começo da vida. E pode durar anos. Várias pessoas ou uma só abusando de você. E você apenas se sentindo impotente. Um trapo. Um lixo.
É. Grave. É um exercício de empatia, de compaixão. É uma violência, te deixa sequelas, te humilha, te fere. E para quem diz que isso é "mimimi de esquerda": se você acha isso uma reclamação sem sentido, tem que se tratar. Pode ser um trauma te bloqueando de falar sobre isso. E se isso é 'coisa de esquerda', esse assunto, essa gravidade... Então imagina como se constrói a direita na cabeça dessas pessoas, não é?
Resumindo: não se cale. Não se culpe. E apoie quem precisar quando puder.

4 comentários:

  1. Exatamente! Já cansei de ver gente fazendo uma série de questionamentos sobre tal abuso pra medir a importância dele, TODO abuso é grave independente das condições em que ele aconteceu.

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  2. Simmmmm, que "não foi tão grave" então não devia ter tanto alarde!

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