sábado, 23 de julho de 2016

Monte de nada


Por que soltam a droga da bomba no deserto? Teste estúpido para resultar em nuvens de poeira. Não gosto do som, não gosto da surdez seguinte, não gosto da sensação de nada. Do gosto de areia. Do cheiro de quente. Claro que calor tem cheiro! Você que não conhece.
Conheço pouco disso e daquilo ali. Pra mim, todas as pessoas são opções de um restaurante. Podem ter o mesmo nome, nunca vão ter o mesmo sabor. Talvez para paladares menos apurados. Somos todos iguais. Todos incluímos cebola. Todos fazemos um barulho estranho se mastigarmos. Espera.
Fico agitada com o sal. Gosto de pegar uma porçãozinha de sal rosa e deixar dissolver na língua. Prestar atenção. Tirar a cabeça de uma órbita incômoda. Porque eu estou, sim, muito bem, obrigada. E é sério! Estou bem, contente, desarmada. Eu gosto de netflix, gatinhos no meu colo e massagem nas costas. Eu gosto de coisas e de pessoas e consigo fazer coisas e interagir com pessoas sem querer morrer e isso é uma conquista. Está tudo bem. É sério. Quica quica. Quê?
Às vezes até cutuco naquelas cumbucas proibidas. Guardiãs de todas as razões (irracionalidades as vezes) para me deixar mal. Se alguém chorar, tem dedo meu? Se alguém morrer devo me sentir culpada? Eu estou tanto faz, sou tanto faz, não sou tanto faz, não sou 8 e 80, não sou radical, não sei quem eu sou, não quero saber, preciso saber, não tenho pontos, não lido com pontos, não consigo finalizar, eu preciso finalizar para começar de novo. É a numerologia, é o ano nove, é a casa doze.
Eu estou bem, mas não estou do zero. Eu não regressei ou recomecei. Eu não renasci, mas espero ter evoluído. Apesar de tudo correr tão rápido.
Porque, veja só: eu estava miserável. É, totalmente miserável. Antes eu estava razoavelmente miserável. Depois, englobou um pouco mais. E agora eu não escrevo tem um tempo. Mas é por falta de tempo. Tempo terrestre. Imagina só sair daqui - seria como ter todo o tempo do mundo! Todo o tempo para terminar as coisas que tiram meu tempo para depois poder pensar a respeito das coisas que me arrependo. E que me fazem cultivar raiva de mim. Devo ter dedo na tristeza de alguém? Na doença? Infelicidade? Morte? Qualquer tipo.
Eu não queria evitar nada, não quero pensar a respeito. Não quero fazer disso um debate, discutir com a psicóloga, com o amigo, com pessoas desconhecidas que se abrem para desabafos virtualmente. Eu quero tomar meu chá sem açúcar, continuar não ligando para as pessoas em questão e assistir Gilmore Girls. Eu queria não ser a esponja de quase todo mundo. Mas queria poder identificar melhor o que se passa dentro e por mim. Eu sou apaixonada por todo mundo, tenho medo, raiva, saudade, vergonha, remorso e paz tudo misturado. Um grande vegetal híbrido que se degusta. Que diabo é isso? Não sei, mas gostei da cor. As vezes eu tenho certeza, mas depois de umas horas, já me vejo duvidando. Eu mudei, o sentimento mudou, a minha percepção sobre o sentimento mudou?
Jantei duas vezes, li a mesma frase do livro que estou lendo há um mês e meio. Eu começo a chorar, interrompo, me questiono. Ouço uma música meio bosta para continuar o choro e não ficar com dor de cabeça. Fico com dor de cabeça.
Vou na fórmula óbvia. Algumas coisas que sempre faço que me fazem ficar alegrinha. Organizar meu quarto, meus desenhos, meu desktop, minhas pastas do pc, minhas pastas do celular, minhas listas. Criar outras listas, pensar em números legais, resolver umas equações, fazer paletas de cores. Eu sou um bicho esquisito, um troço que se complica além do necessário, um troço que finge que é (está) simples. Troço que não sabe se articular direito, mas, ao mesmo tempo, explode tudo o que parece precisar explodir de uma vez numas palavrinhas que voam da intuição. Performo, não danço. Tem gente que se frustra e joga cubos de gelo no chão. Quer dizer, eu acho que tem. Não sei de onde tiro essas informações. Mas eu só sei. E eu faço não sei o quê. Guardo, só. Porque em dois minutos, esqueço das razões e motivos, manipulada pela falta de juízo, e perco já o fio. Soltando bombas, soltando bombas, soltando bolbas, soltando bombas, alguém pelo amor deus faz ela parar de soltar bombas. Nem se sabe porque resolveu fazer isso. No impulso, só faz. Não vai matar o que tem de físico entorpecendo as entranhas, as veias, os folículos capilares (bom nome). Não vai me matar, não vai me ajudar. Mas só faz.
O que eu estou fazendo, pra quê eu estou fazendo, por quê eu estou fazendo.
Gosto de dormir cedo, são três da manhã. Bolsas de chá resolvem, Eu ouvi isso várias vezes. Já entrou na cabeça.
Deixa esfriar. Nada nada nada nada nada. Eu não sou fraca. No fundo eu sei que não sou. Que consigo fazer o que preciso fazer. Sei sim.

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