quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Alívio de escrever sem pressão para escrever



Que saudade de escrever. Quando mantinha blog com a consciência de que para manter público, precisava de frequência de posts, de escolha perfeita de imagem, de ver se debaixo dos códigos estava tudo ok, de visitar outros blogs e comentar (e por aí vai), abrir um novo post chegava a ser um inferno de tortura. Meu deus. Vão ver, vão ler, vão analisar. Tô perdida. Abre os programas de edição. Cadê a câmera. Carrega logo. Links, referências, preciso. Anexos pesados.
Agora eu posto, as vezes, depois de mais de um mês sem sequer ver essa tela, e fazer isso é um alívio mais que imenso. Não sou blogueira de moda, vlogueira que abre jabás na frente da câmera. Gosto de acompanhar (as vezes), conteúdo leve e divertido, inspiração e um quentinho no peito. Mas não sou eu.

Deitada com dois travesseiros debaixo do queixo, sol de fim da tarde com horário de verão, silêncio que só escuto quando paro para tentar ouvir. Estou cansada, sozinha, solitária, ocupada e travada. Na minha parece, vários papeis com ideias e rabiscos de produtos. Alguns arquivos abertos para a faculdade, planilhas, programas, cadernos e exaustão. Uma coceirinha para fazer tudo logo mas o corpo respondendo zero a isso tudo. Me joguei de braços abertos a tudo, crendo que me ajudaria nos pesos que esse ano jogou na cabeça. Bigornas mesmo. Vou fazer da vida um desafio enquanto é tentador não levantar da cama.
Mas tarefas demais não são tão alívio quanto as pessoas fazem parecer. Você acha que não vai ter tempo para pensar em coisas que te fazem/fizeram mal, mas, ah, tem uns perigos. Fazer essas coisas, pessoas, situações de válvula de escape. Tentaçõezinhas a que resisto.
Se dê férias. Todo mundo merece férias. Não falei do que.

Cansadinha, porém me esforçando.

Mas deitada, digitando sem pensar, mesclando alívio (que saudade de escrever!) com angústia (que porcaria que vai sair!), lembro pela quinta vez hoje das salonpas que eu devia comprar. Minha mão dói com frequência e é difícil desenhar (e escrever, e trabalhar). Cansadinha, me esforçando, tentando dormir sete horas por dia. Porém tem exaustão que não se cobre assim. E estou esgotada.

Faço vinte em um trimestre e já resmungo horrores pra alguém da minha idade.Vejo pessoas se oferecerem no twitter para desabafos e conselhos e preciso de todas as cordas do mundo para não começar a escrever vinte laudas sobre coisas que me incomodam. Pilhas de tarefas que não consigo evitar, Sou sensível. Tenho medo de não ser agradável e choro enquanto monto um roteiro na minha cabeça de como ser uma pessoa melhor. Sou dramática. Gosto de me ocupar com tarefas mecânicas enquanto passa Black Mirror no Netflix. Me dou descansos esporádicos. Li todas as edições de WITCH publicadas no Brasil e quase todas as que não foram.
Estou cansada. E cansada de precisar me esforçar o tempo inteiro. Feliz com o que faço (as vezes), mas sem um respiro que funcione o suficiente. Cansada de pensar em conversar com pessoas, pensar em sair, pensar em socializar e ser adequada (a adequação existe em qualquer bolha). Cansada das músicas que existem e de precisar comprar salonpas. E de não ser adequada. E de não entender pessoas para me adequar.

Hoje, na verdade, não consegui articular nada interessante para virar material para autostalk no futuro. Então vou só soltar Citrine da Hayley Kiyoko pra quem não conhece. É mais confortante do que me ler reclamar.

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