terça-feira, 15 de novembro de 2016

Monólogo meio psicodélico sobre a luta pela autenticidade


Eu estava recebendo notificações do google fotos pra "me lembrar do dia x de um ano atrás" e fiquei irritadinha. Saco, google fotos. Algumas coisas de um ano atrás deviam ficar um ano atrás. Alguns dias (fases/épocas) de alguns anos específicos. Massss, com esse lembrete, me senti impelida a fazer todo o retorno da minha linha do tempo em imagens para (de novo) apagar o que me dá desgosto.
A linha não é longa, na verdade. Vai até 2012. 
Eu estava com 15 anos. Ruiva, usava preto, criei um blog que chamei de Conspirantes por motivos que não me lembro exatamente. Blogs sempre fizeram parte da minha vida. Escrever é um hábito saudável que murchou ao me afastar do ensino médio e aulas de gramática. Ter toda aquela informação de forma tão mais palpável (afinal, ela se apresentava a você) era uma ferramenta que eu usava com prazer. E essa é parte do que eu acredito ser uma expressão genuína de mim, onde eu não precisei me forçar para começar e gosto de fazê-lo quando quero. Sem obrigações ou prestar contas.
E o ponto é meio que esse.
A genuinidade não é fixa, estática ou livre de influências. Isso é fato. Ao falar de pessoas, não existe o puro. Temos influências o tempo inteiro, porém nem sempre o resultado disso é ótimo.
Você tem aquela fase da adolescência onde acaba sendo atraído por premissas interessantes e se importa demais com o que outros adolescentes falam. O que consomem, o que criticam. E começa aí o apagamento da sua autenticidade. Você não tem necessariamente a força para defender seus interesses de 'imposições' (ainda que velada).. Pode ser das pessoas que intimidam ou indiretamente, aquelas que você "queria ser". Sem apontar pessoas. Apenas recitar fatos.
 Com quinze, a imposição era mesclada: eu queria ser como as pessoas que me intimidavam. Eu queria me encaixar, ter o sentimento de pertencimento. O que vinha de mim envergonhava. Vergonha da minha aparência, estilo, manias, voz, gostos. Eu era muito manipulável pela raiz: queria me sentir parte de algo, então deixava que fizessem o que quisessem comigo.

Tenho 19 e nem tenho ainda a força para apagar esses restos de medo e "camaleonismo" de mim. Não sei me explicar na terapia. Não sei nem responder um quiz do buzzfeed. "O que você diz sobre cada imagem dirá se é extrovertdo ou introvertido!" e também continuo não pertencendo a lugar nenhum. Tudo parece neblina e soa meio hostil. Provavelmente é o medo de voltar dez casas nesse amadurecimento lento. Os erros e vacilos das outras pessoas parecem menores ou imperceptíveis. Os meus, no entanto, gritam e cutucam o tempo inteiro. E lá vai mais peso

São épocas e épocas. Houveram períodos em que não me importava mesmo com o que tinham a dizer da minha pessoa (em geral). No google fotos dava para saber quais foram meus dias bons. É só ver as fotos. Tudo o que me representa veio desses dias (ou estão organizados em lugares privados, redes particulares, pouco acessadas, nada comentadas). Tumblr, pinterest, listography. Alguém entrou na vida? Quis entrar na vida de alguém? Gradativamente vem a maquiagem. Eu escrevo, listo e me relembro de quem eu sou, mas as vezes isso é só mecânico mesmo.

E de tanta volta, acabo tendo que perseguir o que é genuíno (enquanto ele que devia apenas pular de dentro de mim). Não sei lidar com isso. Mania de arrastar partes desagradáveis da adolescência.

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